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Escrito por Administrator   
Sex, 17 de Outubro de 2008 10:32

Reproduzimos abaixo artigo do Prof. Uribam Xavier, publicado no jornal O Povo, de 15/10/08

 

http://www.opovo.com.br/opovo/opiniao/826890.html

 

Um dia após as eleições, a sensação que dominava o imaginário de algumas camadas de eleitores em Fortaleza era a de que João Alfredo e o Renato Roseno tinham ganhado as eleições. Lembrar que Luizianne havia sido eleita no primeiro turno não passava o sentimento de novidade quanto o desempenho do Psol.

A campanha sucessória foi um espetáculo vazio de projeto político. Na disputa pelo poder, os candidatos usaram de todos os tipos de recursos. Luizianne esbanjou: a olho nu, ficava evidente que a sua campanha era a mais cara. Surpreendeu alguns candidatos a vereador pelo PT, de origem popular, montados em campanhas ricas e incompatíveis com o perfil econômico do candidato. Do ponto de vista dos apoios, o PT juntou de tudo: gente comprometida com a cidade, conservadores e oportunistas.

Quando ganhou pela primeira vez as eleições, Luizianne teve uma vitória fenomenal sobre todos os aspectos: campanha de baixo custo, conteúdo político definido e um comportamento ético, num momento em que o PT afogava-se na lama da corrupção. Naquela eleição, Juraci Magalhães foi o julgado, nessa foi a Luizianne, o resultado foi que 49,8% da população de vários segmentos sociais deu-lhe um não.

Temos uma prefeita que não é capaz de fazer uma crítica a sua gestão por acreditar que todos os setores da cidade melhoraram durante o seu mandato. Tal conduta, por si só, comprova que o poder é capaz de produzir cegueira. Todavia, anunciou que vai substituir os que na sua equipe de governo vêm mantendo um desempenho pífio. Na realidade, sua administração é regular, não existe nada nela que um bom administrador capitalista não possa fazer melhor, até mesmo sua política social compensatória, que é muito importante para os pobres, mas não é o que se espera de quem governa tendo como referencial uma visão socialista de mundo.

A segunda gestão de Luizianne vai ser demasiadamente diferente da primeira. Primeiro, porque ela vai ter mais vereadores do seu grupo político na Câmara e vai ter uma oposição qualificada, como a do vereador João Alfredo. Segundo, ela vai substituir parte de sua equipe, que vem tendo um desempenho pífio, por aliados do PMDB e companhia, vamos ter uma gestão de centro direita. Terceiro, em final de mandato, quando o titular não vai para reeleição, os aliados engrossam a voz e passam a fazer oposição. E por ultimo, a prefeita pode não mais desejar fazer pós-graduação no final de seu mandato e romper o acordo com Cid Gomes e Eunice Oliveira, candidatado-se ou apoiando candidatos do seu partido ao Governo do Estado ou ao Senado. Tudo isso são coisas de certo tipo de política.

Uribam Xavier - Professor do Departamento de Ciências Sociais e diretor da ADUFC
 

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