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A história oficial deixou seus símbolos registrados em nosso cotidiano. Basta caminhar por Fortaleza para percebermos quantas ruas são nomeadas em homenagem aos “heróis” construídos pelas elites. É necessário difundirmos outros símbolos pela cidade. Símbolos de luta, resistência, coragem, solidariedade. No ano em que comemoramos o centenário de Dom Helder Câmara, nada mais justo que homenagear esse homem cuja vida foi marcada pela defesa dos direitos humanos e da liberdade, contra o regime militar ditatorial que foi instaurado no país. Nesse sentido, como um elogio à democracia e à luta pela liberdade, o mandato Ecos da Cidade propôs, através de decreto-legislativo, a alteração do nome da Praça 31 de Março, localizada na Praia do Futuro, para Praça Dom Helder Câmara.
Para João Alfredo (PSol), a mudança será também uma mensagem que a Câmara emitirá à cidade em prol da Democracia e dos Direitos Humanos. Para o vereador, “Não há de se admitir Democracia, sem a defesa dos Direitos Humanos”, portanto não poderia passar despercebido aos representantes da população que um espaço público importante da nossa cidade tivesse como nome a data que é lembrada pela história como marco inicial da ditadura militar. A justa homenagem marca na cidade valores que Dom Helder pregava e pelos quais foi indicado, por quatro vezes, ao Prêmio Nobel da Paz: liberdade, justiça, democracia. Para que seja aprovada a alteração, será realizada uma audiência pública sobre o tema. Saiba mais sobre Dom Helder Câmara:
Dom Helder teve sua formação em Fortaleza, estudando no Seminário Diocesano de Fortaleza e ordenando-se padre em 1931, com 22 anos, obtendo autorização especial da Santa Sé, devido à pouca idade. Foi fundador da Legião Cearense do Trabalho e também da Sindicalização Operária Feminina Católica, que congregava as lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas. Ainda no Ceará, foi um grande incentivador da Educação, inclusive sendo diretor do Departamento de Educação, desse Estado. Ampliando, em seguida, a sua ação em nível nacional e internacional, quando exerceu diversas funções no Rio de Janeiro e em Pernambuco. Atuou na luta pela moradia, fundando, por exemplo, a Cruzada de São Sebastião, com a finalidade de dar moradia decente aos desfavorecidos; fundou o Banco da Providência, que ajudava comunidades miseráveis (1959); teve participação destacada no Concílio Vaticano II (1965); criou o Movimento Encontro de Irmãos, o Banco da Providência e a Comissão de Justiça e Paz, da diocese de Olinda, Recife e Pernambuco; recebeu títulos de doutor honoris causa de Universidades no Brasil, Alemanha, Bélgica, Canadá, Estados Unidos, Itália, Holanda, Suíça; recebeu o título de Cidadão Honorário de 28 (vinte e oito) cidades no Brasil, da cidade de São Nicolau na Suíça e de Rocamadour, na França; recebeu diversos prêmios internacionais, como o “Prêmio Martin Luther King”, nos Estados Unidos e o “Prêmio Popular da Paz”, na Noruega.
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