| Nota coletiva das organizações feministas do Ceará |
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| Escrito por Administrator | |||
| Qui, 05 de Março de 2009 09:42 | |||
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Neste 08 de Março de 2009 levantamos nossas bandeiras contra o capitalismo patriarcal e racista, as demissões em massa das mulheres trabalhadoras, contra a criminalização das mulheres pela prática do aborto, contra a injustiça sócio-ambiental, contra a lesbofobia, contra a violência sexista, contra o tráfico e a exploração sexual das mulheres. O 08 de Março faz parte do calendário internacional do movimento feminista. Celebrado desde as primeiras décadas do século XX, o dia internacional de luta das mulheres foi proposto pelas feministas socialistas como um dia de luta pelo fim da opressão e discriminação das mulheres, por igualdade, liberdade e autonomia.
O mercado, a mídia capitalista e os governos vêm tentando se apropriar desta data como um dia de consumo, reproduzindo a ideologia de que já não temos motivos para lutar e que podem conciliar o ideal de beleza com os trabalhos domésticos e de cuidados, reproduzindo a ideologia capitalista e patriarcal. Da mesma maneira, os governos de direita e esquerda tentam esvaziar a luta política das mulheres através da auto-promoção, com a distribuição de prêmios e homenagens, e campanhas que pouco ou nada mudam a vida das mulheres.
O capitalismo vivencia hoje uma de suas maiores crises, resultado do seu desenvolvimento baseado na exploração da classe trabalhadora ─ em especial das mulheres, negras/os e jovens ─ e na especulação financeira. A crise tende a agravar as situações de desigualdade e injustiça social. Seguindo os passos dos imperialistas, o governo Lula já destinou bilhões para salvar bancos e grandes empresas, enquanto as políticas sociais, sobretudo para as mulheres, seguem tendo cortes e os direitos trabalhistas são cada vez mais ameaçados.
Nós mulheres não vamos pagar por esta crise! Somos contra as demissões e reduções de direitos e salários!
De novembro para cá, ocorreram mais de 6000 demissões dos setores industriais no Ceará, a maioria de mulheres. A divisão sexual do trabalho impõe às mulheres os piores empregos, maior flexibilização de direitos e as mulheres negras são as principais vítimas desta realidade. Queremos denunciar a aliança entre o capitalismo e o patriarcado e dizer que não aceitamos que a crise imponha a diminuição dos serviços ofertados pelo Estado, sobrando para as mulheres o trabalho doméstico e cuidado com doentes e idosos da família. Ao contrário, queremos dividi-los com nossos companheiros e parentes homens e pôr fim ao emprego doméstico, que faz com que as mulheres pobres, sobretudo as negras, sejam as mais exploradas.
Queremos alternativas concretas à crise do capitalismo. Somos contra os agro-combustíveis e a privatização dos bens naturais.
Queremos soberania alimentar e energética, com a valorização da agricultura camponesa, da agroecologia e dos saberes tradicionais das mulheres, através de outro modelo de produção e consumo e de novas fontes de energia sustentáveis, de uma reforma agrária popular que compreenda as mulheres como produtoras, dando a elas a titularidade da terra.
Denunciamos a injustiça sócio-ambiental, provocada por projetos como a Siderúrgica do Pecém, as indústrias de camarão e lagostas no litoral cearense ou a grilagem de terras como a que vem fazendo Julio Pirata em Itapipoca. Estes projetos, apoiados política e financeiramente pelos governos neoliberais, que nos planos municipal, estadual e federal, aplicam uma política econômica que privilegia exclusivamente o grande capital, impactando ainda mais a vida das mulheres, seja por inviabilizar o trabalho das pescadoras artesanais, seja por agravar o problema do acesso à água, ou por aumentar a demanda de serviços domésticos e sexuais, aumentando a violência contra as mulheres.
Negamos toda forma de violência contra as mulheres, como os assédios morais e sexuais e a violência doméstica, onde os homens mais próximos são os principais agressores, além da lógica da heterossexualidade obrigatória, que invisibiliza as lésbicas e bissexuais. Os governos não apresentam saídas reais para esses problemas. A lei Maria da Penha é insuficiente para acabar com a violência, dado que não existe uma estrutura adequada para atender as vítimas da violência, se esbarrando também na cultura machista do judiciário Na vida cotidiana, as mulheres jovens, em sua maioria pobres e negras, são exploradas sexualmente e traficadas como mercadoria para a Europa, para serem consumidas, exploradas e escravizadas. O mercado de mulheres, que economicamente só é menor que o de armas e drogas, é uma das faces mais perversas da opressão, que impacta de forma singular a vida das mulheres negras, que são as mais que mais sofrem com a desigualdade salarial, empregos precarizados e turismo sexual.
Queremos um mundo com liberdade e igualdade para as mulheres!
Neste ano, unimos nossas forças contra a criminalização das mulheres pela prática do aborto. Direito ao aborto já!
Nos opomos ao projeto da CPI do aborto, uma fogueira contra as mulheres pobres, já que as ricas podem pagar por um aborto em clínicas clandestinas.
Defendemos o aborto como direito das mulheres decidirem sobre seu próprio corpo e sua sexualidade e que o Estado garanta que o aborto seja feito nos hospitais públicos, com segurança.
Neste 08 de Março, ocupamos mais umas vez as ruas para afirmar o que queremos com o feminismo: um mundo socialista, onde não existam exploração, desigualdades e discriminação. Um mundo sem classes, onde mulheres e homens, de todas as raças e etnias, gerações, orientação sexual, vivam com liberdade, igualdade e justiça.
08/3/2009
Assinam esta nota Núcleo de Mulheres Rosa Luxemburgo - PSOL/CE
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| Última atualização em Sex, 06 de Março de 2009 17:21 |