PSol Ceará 50 - Partido Socialismo e Liberdade

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Coisas de Mulher Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Ter, 31 de Março de 2009 12:21
“Me comovem mulheres

que a história marcou entre coroas de louros

e outras desconhecidas, gigantes

que não há livro que resista.”

Silvio Rodríguez

    
 
Em uma rua onde o ônibus parou de circular devido a buracos que chegam aos limites do inacreditável aconteceu, no dia 24 de Março, um evento repleto de simplicidade. O Núcleo da Granja Portugal e Conjunto Ceará promoveram uma roda de conversa intitulada “Coisas de Mulher”, em homenagem às lutadoras que enfrentam cotidianamente uma batalha árdua pela sobrevivência na periferia de nossa cidade.

     Na comunidade da Granja Lisboa reuniram-se 40 pessoas, homens e mulheres dispost@s a conversar sobre a situação feminina nos dias de hoje. Militantes do PSOL que construíram a atividade idealizaram um formato onde o que seria dito, partiria daquilo que seria ouvido. Eis uma questão peculiar à construção desse espaço de discussão: ele foi desenvolvido para que a comunidade pudesse ser ouvida, mas não em detrimento do discurso feminista e socialista defendido pelo partido.

     O momento aconteceu devido a importância de levar o discurso socialista às periferias, revelando que ser anti-capitalista é lutar contra uma sociedade baseada na exploração e opressão de seres humanos. O dia-a-dia de quem é massacrad@ por esse sistema torna mais difícil a tomada de consciência a respeito do quanto é necessário lutar pelo fim da desigualdade social, pelo fim da infelicidade decorrente da escassez de casa, comida, educação,transporte,lazer, etc., por isso o cuidado de promover um ambiente agradável de discussão.

      Um vídeo foi criado para fomentar o debate. Houve um trato especial com as palavras (ser profundo sem abrir mão de ser simples), a preocupação com a beleza das imagens e com o caráter de classe e cor dos preconceitos sofridos pelas mulheres pobres. O pequeno clipe colocava vitórias feministas, mostrava que ainda há muito a conquistar, denunciava a violência contra a mulher, ressaltava a importância da participação feminina na política e convidava à construção de outra sociedade.

      Foram muitas as intervenções das Marias e Josés moradoras e moradores da comunidade. Nas falas foi possível perceber o preconceito enraizado pelo machismo de concepções que tentam colocar como culpada pela opressão a mulher oprimida.

Porém a condução da discussão, através de perguntas e chamados à reflexão, fez com que a conversa rumasse para um contexto onde percebeu-se que outro olhar passava a ser lançado sobre a questão da mulher e da sociedade em que vivemos. A conversa se estendeu, foi necessário finalizá-la por conta do adiantar das horas e permaneceu a sensação de que outros momentos virão.

     Conseguir dialogar com as pessoas a quem mais interessa a revolução socialista é algo que torna a luta preenchida de sentido, foi essa a sensação das(os) militantes do PSOL que construíram a atividade. A maioria das pessoas presentes à roda de conversa não era socialista, isso é fundamental para que um processo de conscientização, de encantamento da população pobre seja consolidado em nosso partido. Sem o povo, não haverá revolução e o socialismo não passará de um sonho. Entretanto, o mundo socialista enquanto sonho, sem concretude, por alguns instantes pode nos mover, mas em nenhum momento deve nos bastar.

      
      “Como sei pouco, e sou pouco,
      faço o pouco que me cabe me dando inteiro.

      Já sofri o suficiente
      para não enganar a ninguém:
      principalmente aos que sofrem
      na própria vida,  
      a garra da opressão, e nem sabem.
      Não tenho o sol escondido
      no meu bolso de palavras.

      Não importa que doa: é tempo
      de avançar de mão dada
      com quem vai no mesmo rumo,
      mesmo que longe ainda esteja
      de aprender a conjugar
      o verbo amar.
      É tempo sobretudo
      de deixar de ser apenas
      a solitária vanguarda
      de nós mesmos.
      Se trata de ir ao encontro.
      (Dura no peito, arde a límpida
      verdade dos nossos erros.)
      Se trata de abrir o rumo.
      Os que virão, serão povo,
      e saber serão, lutando.”
       
      Thiago de Mello
Última atualização em Ter, 31 de Março de 2009 12:35
 

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